Crédito mais caro, clientes mais exigentes: o ponto de virada em corporate and investment banking

O aumento do custo do crédito, a alta inadimplência corporativa e a sofisticação dos clientes estão redefinindo o papel do corporate and investment banking. Mais do que conceder crédito, bancos precisam integrar capital, dados, tecnologia e aconselhamento estratégico para manter relevância e gerar valor sustentável.

mai. 25, 2026
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Por Jamile Leão, Head de Business Consulting para Financial Services na Capgemini

O Brasil encerrou 2025 com 8,9 milhões de empresas inadimplentes e R$ 213 bilhões em dívidas negativadas, no maior patamar já registrado pela série histórica da Serasa Experian. Ao mesmo tempo, o mercado de capitais ganhou ainda mais relevância: segundo a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), as ofertas no mercado alcançaram R$ 838,8 bilhões em 2025, recorde histórico, com destaque para as debêntures.

Esses dois movimentos ajudam a explicar o momento atual do setor: quando o crédito fica mais caro, mais seletivo e mais sensível ao risco, empresas passam a diversificar funding, preservar caixa e rever prioridades. E isso muda também o papel esperado dos bancos corporativos e de investimento. 

O ponto de virada em Corporate and Investment Banking

É justamente nesse contexto que o World Corporate and Investment Banking Report 2026, do Capgemini Research Institute, ganha protagonismo. O estudo mostra que, embora os bancos corporativos e de investimento continuem operando em um mercado de enorme escala, eles enfrentam pressões crescentes de:

  • Novos competidores
  • Clientes mais exigentes
  • Custos mais altos para servir

Em outras palavras: não se trata apenas de crescer, mas sim de sustentar relevância em um ambiente mais complexo e integrado. 

Quando a concessão de crédito já não basta

Historicamente, a força de um banco nesse segmento esteve associada à sua capacidade de conceder crédito, estruturar operações e oferecer acesso a capital em volume, com segurança e previsibilidade. Isso continua importante. Mas, em um cenário em que CEOs e CFOs estão mais atentos à liquidez, ao custo financeiro e à alocação de capital, essa proposta já não basta sozinha.

O cliente corporativo não quer apenas uma operação. Ele quer mais contexto, mais velocidade, mais integração e mais capacidade de antecipação. E é aí que a conversa deixa de ser só sobre produto, deixa de ser apenas transacional e passa a ser sobre relacionamento estratégico. 

O que os dados indicam sobre a experiência do cliente

Os achados do relatório reforçam esse descompasso entre esforço e impacto:

  • Apenas 20% dos clientes dizem estar satisfeitos com os serviços oferecidos pelos bancos;
  • Só 23% acreditam que essas instituições atendem efetivamente às suas necessidades;
  • 82% dos executivos bancários afirmam que as iniciativas atuais de inovação não geraram o aumento de receita esperado com novos produtos;
  • 71% apontam dados fragmentados como barreira à criação de valor.

O recado é claro: não falta esforço. O que ainda falta, em muitos casos, é transformar esse esforço em impacto mais consistente para o cliente e para o negócio. 

O diferencial passa pela integração

Esse é um ponto importante para o Brasil. Em um ciclo de crédito mais restritivo, o banco que competir apenas em concessão, prazo ou preço tende a entrar mais facilmente em disputa de margem. Já o banco que consegue combinar capital, inteligência, leitura de cenário, integração com a operação do cliente e maior capacidade de resposta amplia seu espaço na relação.

Isso vale para tesouraria, gestão de caixa, trade, capital markets, estruturação de funding e decisões mais amplas de alocação. O diferencial passa a estar menos na oferta isolada e mais na capacidade de ajudar o cliente a decidir melhor. 

É por isso que pensar além da concessão de crédito e do custo de capital passou a ser uma agenda central em corporate e investment banking. Os clientes esperam bancos mais conectados ao seu contexto de negócio, mais preparados para responder com agilidade e mais aptos a integrar produtos, dados e aconselhamento em uma experiência coerente.

Quer um bom exemplo disso? O estudo mostra que, para 92% dos clientes, a limitação na integração com sistemas internos como ERP e plataformas de tesouraria continua sendo uma dor importante, o que evidencia que ainda há um espaço grande para evolução na jornada corporate. 

Pensar além do crédito é agenda estratégica

O relatório deixa claro que este é um ponto de virada para o setor, em que crescimento, eficiência e relacionamento já não são conversas separadas. Em um mercado mais pressionado, elas passam a se reforçar mutuamente. Os bancos que conseguirem evoluir nessa direção tendem a proteger melhor sua relevância e a capturar valor de forma mais sustentável. O estudo aprofunda essa discussão e traz uma leitura útil para quem acompanha a transformação dos bancos corporativos e de investimento no Brasil e no mundo. Para conhecer mais insights, baixe o World Corporate and Investment Banking Report 2026.

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