Conheça as forças que estão redesenhando os mercados globais de energia e transforme a disrupção em ação

O World Energy Markets Outlook (WEMO) analisa como a disrupção geopolítica, a soberania energética, a demanda de eletricidade impulsionada pela IA, a eletrificação acelerada e uma onda sem precedentes de investimentos em infraestrutura energética crítica estão redefinindo o cenário da energia. Ao combinar análises de mercado com recomendações práticas, o relatório ajuda líderes do setor de energia a fortalecer a resiliência, melhorar a eficiência de capital, acelerar a execução e construir vantagem competitiva por meio de tecnologia, dados e engenharia.

A 28ª edição do World Energy Markets Outlook, publicada pela Capgemini em outubro de 2026, parte da crise do Estreito de Ormuz para defender que a resposta certa é acelerar a transição energética, tendo soberania, custo e confiabilidade como critérios ao lado da descarbonização. O relatório reúne uma visão global assinada por Colette Lewiner e 11 capítulos temáticos de especialistas da Capgemini, de soberania digital a óleo e gás. Um ponto atravessa vários capítulos: a rede elétrica, e não a geração, tornou-se o principal gargalo da transição, e a IA é ao mesmo tempo nova fonte de demanda e ferramenta para resolver o problema.

Principais números — World Energy Markets Outlook 2026, Capgemini

20 → 3,8 mi
de barris/dia: queda do trânsito de petróleo pelo Estreito de Ormuz em 2026, a crise de oferta mais grave desde o embargo de 1973
485 → 950 TWh
é a projeção de consumo de eletricidade dos data centers entre 2025 e 2030 (IEA)
US$ 541 bi
de investimento global em redes elétricas em 2026, contra US$ 694 bi investidos em renováveis em 2025 (IEA)
~2.500 GW
de projetos aguardam nas filas de conexão à rede no mundo
Fonte: Capgemini, World Energy Markets Outlook, 28ª edição (outubro de 2026), incluindo dados da Agência Internacional de Energia (IEA) citados no relatório.

O que o World Energy Markets Outlook 2026 analisa

CapítuloTemaConclusão central
01Visão globalA crise de Ormuz tornou a soberania energética prioridade política; a resposta é acelerar a transição com soberania, custo e confiabilidade.
02Soberania digitalSem energia firme e previsível não há soberania digital; a energia é o pilar esquecido.
03Projetos de capitalO gargalo deixou de ser o financiamento e passou a ser a capacidade de construir.
04Data centersA IA aumenta a demanda dos data centers, mas também ajuda a orquestrar o sistema elétrico para atendê-la.
05Modernização da redeAs concessionárias precisam construir rede nova e, ao mesmo tempo, extrair mais da rede existente.
06Congestionamento da redeO congestionamento virou barreira ao crescimento econômico, à eletrificação e à descarbonização.
07Balanceamento da redeA rede passa a ser equilibrada por algoritmos, dados e flexibilidade distribuída: “flexibilidade é a nova capacidade”.
08Mercados de flexibilidadeA IA é condição de viabilidade para operar milhares de ativos flexíveis em tempo real.
09Adaptação climáticaResiliência deve ser um ciclo contínuo: adaptar agora custa menos que pagar depois.
10Armazenamento em baterias (BESS)A capacidade cresce rápido, mas o retorno passou a depender da forma de operar o ativo.
11Renascimento nuclearA ambição de triplicar a capacidade está definida; o desafio é entregar no prazo e no custo.
12Óleo e gásA vantagem vem de decidir melhor quando a previsão falha: a “empresa adaptativa”.
Fonte: Capgemini, World Energy Markets Outlook, 28ª edição (outubro de 2026).

Como a crise do Estreito de Ormuz está mudando a transição energética?

Os ataques de 28 de fevereiro de 2026 à infraestrutura nuclear e militar do Irã levaram ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz. O trânsito de petróleo caiu de 20 milhões para 3,8 milhões de barris por dia, a IEA liberou 400 milhões de barris de estoques de emergência, a maior liberação em seus 50 anos de história, e o Brent atingiu US$ 120,88 em 30 de abril. Segundo o WEMO, a crise transformou a soberania energética em prioridade política nas grandes economias.

“Acredito que a resposta estratégica correta é acelerar a transição energética, mas em termos que priorizem uma soberania realista ao lado da descarbonização e que incluam custo e confiabilidade.”

Colette Lewiner, especialista em Energia e Utilities da Capgemini e autora da visão global do WEMO 2026

Quais fontes de energia passam no “teste triplo” do WEMO?

O relatório propõe que uma fonte de energia limpa precisa ser não fóssil, sem emissões e soberana, ou seja, produzida e operada sem depender de um Estado estrangeiro. Nuclear, geotérmica e hidrelétrica passam nos três critérios. Solar, eólica e baterias estacionárias passam nos dois primeiros, mas falham no terceiro, principalmente na fase de construção, porque a China domina a fabricação dessas tecnologias e o processamento de minerais estratégicos.

Fonte: Colette Lewiner, “From shock to strategy”, World Energy Markets Outlook, 28ª edição, Capgemini, outubro de 2026.

Quanta eletricidade os data centers de IA vão consumir?

A IEA projeta que o consumo de eletricidade dos data centers quase dobre, de cerca de 485 TWh em 2025 para cerca de 950 TWh em 2030, pouco mais que o consumo atual do Japão. Segundo o Capgemini Research Institute, a fatia dessa demanda ligada ao treinamento e à inferência de IA deve subir de 25% para 60% em três a cinco anos, e 77% dos executivos do setor elétrico acreditam que a demanda dos data centers vai crescer mais rápido que a oferta.

Fonte: World Energy Markets Outlook, 28ª edição, capítulo 04 (Data centers), com dados da IEA e do Capgemini Research Institute.

Por que a rede elétrica é o gargalo da transição energética?

A demanda e as renováveis crescem mais rápido do que a rede consegue conectar. O investimento global em redes é estimado em US$ 541 bilhões em 2026, abaixo dos US$ 694 bilhões investidos em renováveis em 2025, e os planos nacionais de transição exigem cerca de 80 milhões de quilômetros de linhas novas ou modernizadas até 2040. Enquanto isso, as filas ativas de conexão somam cerca de 2.500 GW no mundo. O WEMO recomenda elevar o investimento em redes para mais de US$ 500 bilhões por ano até 2030, incluindo hardware e software.

MercadoIndicador de congestionamento da rede
Estados UnidosFila de conexão de 2.290 GW em 2024, contra 1.322 GW de capacidade instalada
Alemanha€ 3,07 bilhões gastos com gestão de congestionamento em 2025; só 2,55 GW de 16 GW em baterias estão pré-qualificados para negociar
Reino UnidoCustos de balanceamento passaram de cerca de £ 1 bilhão (2018/19) para £ 2,7 bilhões (2024/25)
BrasilCitado entre os mercados com taxas elevadas de corte (curtailment) de geração renovável, ao lado de Irlanda e Reino Unido
Fonte: World Energy Markets Outlook, 28ª edição, capítulos 06 e 08 (Grid Strategies e dados de mercado citados no relatório).

Como a IA ajuda as empresas de energia a responder?

Segundo a Capgemini, a IA ajuda a prever demanda e geração, orquestrar milhares de ativos flexíveis, otimizar baterias, antecipar falhas e acelerar projetos de engenharia. Em grandes projetos de infraestrutura, pode reduzir de 30% a 50% o esforço de engenharia, projeto e entrega e tornar os programas de 20% a 30% mais rápidos. Em armazenamento, a operação faz a diferença: no ERCOT (Texas), em janeiro de 2026, o quartil superior de otimizadores capturou pelo menos 76% do spread disponível, contra 27% do quartil inferior.

Fonte: World Energy Markets Outlook, 28ª edição, capítulos 03 (Projetos de capital) e 10 (Armazenamento em baterias), Capgemini.

A meta de triplicar a energia nuclear até 2050 é viável?

Em maio de 2026, havia 74 reatores em construção no mundo, somando 66 GW. O World Nuclear Outlook projeta 1.428 GWe de capacidade nuclear em 2050, 228 GWe acima da meta da Declaração para Triplicar a Energia Nuclear. Para o WEMO, o desafio deixou de ser a ambição e passou a ser entregar os projetos no prazo e no custo, e a IA, começando por usos de menor risco como gestão do conhecimento de engenharia e documentação regulatória, pode aumentar essa previsibilidade.

As sete recomendações do WEMO 2026 para empresas e governos

  1. Buscar a soberania energética de forma pragmática.
  2. Acelerar a eletrificação de edifícios e transportes.
  3. Elevar o investimento em redes para mais de US$ 500 bilhões por ano até 2030, simplificar a regulação e ampliar o uso de IA.
  4. Fortalecer a flexibilidade da rede com resposta da demanda, agregadores, usinas virtuais e armazenamento.
  5. Implantar geração limpa despachável ao lado das renováveis.
  6. Investir mais em P&D e acelerar a adoção de IA generativa e física.
  7. Tratar a adaptação climática como imperativo urgente: as políticas atuais apontam para cerca de +2,7 °C em 2100.

Fonte: Colette Lewiner, “From shock to strategy”, World Energy Markets Outlook, 28ª edição, Capgemini, outubro de 2026.

O relatório é destinado a líderes de energia e utilities, como concessionárias, operadoras de rede, geradoras, donos de ativos de armazenamento, empresas de óleo e gás, desenvolvedores de data centers e investidores. Para ler os 12 capítulos na íntegra, acesse a versão online abaixo.

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