Relatório Mundial de Riqueza da Capgemini 2019: patrimônio das pessoas com alta renda declina US$ 2 trilhões após 7 anos consecutivos de crescimento

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Autor Aulicino, Roberto

A queda global em valores chegou aos 3% em 2018. China é o país mais atingido, puxando a região da Ásia-Pacífico para baixo, e os mais afetados foram os indivíduos de “ultra renda”. No Brasil, mesmo com a diminuição no patrimônio,

o número de pessoas de alta renda cresceu 8,8% no ano

 

Paris, 10 de julho de 2019 – O estudo World Wealth Report 2019 (WWR), publicado pela Capgemini, revela que após 7 anos de crescimento contínuo, o patrimônio total das pessoas com alta renda ou HNWIs (High Net Worth Individual) diminuiu 3% em 2018. O grupo de pessoas com, no mínimo, US$ 1 milhão de patrimônio sofreu perdas em grande parte devido a queda na riqueza na região da Ásia-Pacífico (especificamente na China), declínio que causou redução de US$ 2 trilhões em todo o mundo. O Brasil, também sentiu os reflexos dessas perdas, porém experimentou 8% no crescimento na população de alta renda, pulando de 171 mil pessoas para 186 mil, mesmo com o volume de riqueza caindo 3%.

 

Mesmo assim, as empresas de gestão de patrimônio mantiveram níveis estáveis ​​de confiança e satisfação do cliente ao longo do ano, embora as melhores relações pessoais ainda sejam fundamentais para incrementar o desempenho das empresas, isto pode ser alcançado com a utilização efetiva de tecnologias de última geração.

 

As principais conclusões do relatório incluem:

 

Ásia-Pacífico lidera declínio da riqueza global, enquanto riqueza do Oriente Médio cresceu

A população e a riqueza dos HNWIs diminuíram 0,3% e 3%, respectivamente, com a Ásia-Pacífico sendo a região mais afetada. O declínio em valores naquela localidade chegou ao US$ 1 trilhão entre as pessoas de alta renda, com o número de indivíduos decrescendo em 2% a partir da queda no patrimônio de 5%. A China, sozinha, foi responsável por mais da metade (53%) das perdas na Ásia-Pacífico e mais de 25% da queda na riqueza global entre os HNWIs.

 

Enquanto isso, a riqueza dos HNWIs diminuiu em quase todas as outras regiões: 4% na América Latina, 3% na Europa e 1% na América do Norte. No entanto, o Oriente Médio contrariou a tendência, gerando um crescimento de 4% no patrimônio dos HNWIs e aumentando a população de alta renda em 6% devido ao forte crescimento do PIB e desempenho do mercado financeiro. Similar ao ano anterior, os mercados com as maiores populações de HNWIs – Estados Unidos, Japão, Alemanha e China – representaram 61% do total da população global de indivíduos de alta renda.

 

Ultra-HNWIs registram a maior perda financeira

O grupo dos ultra-HNWI diminuiu em 4% e o seu patrimônio despencou em cerca de 6%. Isso representou 75% da redução total da riqueza global no ano. Milionários intermediários (os HNWIs com algo entre US$ 5 milhões a US$ 30 milhões) representaram outros 20% do declínio total. E o segmento inicial, que representa HNWIs com valores entre US$ 1 milhão a US$ 5 milhões de riqueza (ou quase 90% da população das pessoas de alta renda) foi o menos afetado em 2018, já que sua riqueza caiu menos de 0,5%, significando que quase todos os declínios na riqueza e população de HNWI foram impulsionados pelos segmentos de maior riqueza – ultra-HNWI e pessoas no “nível intermediário”.

 

Dinheiro fica acima das ações como a maioria dos ativos

As alocações de ativos mudaram significativamente, com o dinheiro substituindo as ações para se tornar a classe de ativos mais representativa no primeiro trimestre de 2019, representando 28% da riqueza dos HNWIs, enquanto as ações “escorregaram” para a segunda posição com quase 26% – declínio de 5%. A condição volátil do mercado acionista estimulou ainda um ligeiro aumento na alocação dos investimentos chamados de alternativos em 13%, crescimento de 4% em relação ao ano anterior.

 

Níveis de confiança permanecem estáveis, mas os gerentes de fundos de riqueza precisam evoluir a experiência do cliente

Apesar do declínio da riqueza, a confiança e a satisfação dos HNWIs nas empresas de gestão de patrimônio evoluiu 3% para cima em relação aos mais altos níveis já alcançados. No entanto, o relatório revelou uma oportunidade significativa para que os fundos de wealth (riqueza) abordem de forma proativa as crescentes expectativas dos indivíduos de alta renda. Afinal, uma experiência de serviço insatisfatória foi a maior razão para a troca de gestores de patrimônio em 2018.

 

Espera-se ainda que as BigTechs – gigantes de tecnologia como Ali Baba, Amazon, Apple, Google e Facebook – tornem-se um dos maiores desreguladores do segmento financeiro devido às suas capacidades digitais. Especialmente porque menos de 50% dos clientes, dentre os HNWIs, disseram estar satisfeitos com as atuais plataformas móveis e online e 85% demandaram uma maior interação digital ao acessar as informações do portfólio dos players. Ao mesmo tempo, apenas 62% dos HNWIs disseram estar confortáveis ​​com as taxas do seu gestor de recursos, com muitos exigindo ofertas mais personalizadas e focadas em uma maior criação de valor.

 

Segundo o relatório, o investimento em tecnologias de última geração será fundamental para aprimorar a experiência do cliente. Embora seja um consenso entre os executivos dos fundos e gestores de patrimônio de que a Inteligência Artificial é um fator relevante de mudanças, apenas 5% das empresas pesquisadas disseram ter implementado estratégias de IA em todas as áreas centrais. Para apoiar o crescimento sustentável dentro deste ambiente disruptivo, os players devem perseguir estratégias para suprir as lacunas de valor dos gestores de patrimônio e clientes, redefinindo a estratégia de TI e alavancando o ecossistema integrado.

 

“Embora o ambiente econômico volátil de 2018 tenha levado à queda global da riqueza dos HNWIs, os gestores de patrimônio foram extremamente bem-sucedidos em manter níveis fortes de confiança no cliente”, afirmou Anirban Bose, CEO da Unidade de Financial Services da Capgemini e membro do Conselho Executivo do Grupo. “No entanto, o sucesso futuro dependerá da agilidade das empresas de gestão de patrimônio para evoluir a experiência do cliente e encontrar novas maneiras de agregar valor por meio de serviços mais personalizados. A tecnologia de próxima geração e o gap nas expectativas ajudarão nisso, mas o cenário está mudando tão rapidamente que as empresas não devem ter medo de reformular sua estratégia e modelos de negócios, se necessário”.

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