Por Carlos Eduardo Mazon 

Mas esse impacto não se dá somente no ritmo de inovação. As fontes de inovação também se expandiram rapidamente. Centros empresariais continuam a surgir e expandir em Berlim, Tóquio, Tel Aviv, São Paulo, Bangalore e muitos mais. Recentes pesquisas revelam um grande aumento do número de centros de inovação, principalmente na região da Ásia-Pacífico. As startups, nas quais um investimento recorde de $ 128 bilhões foi feito por firmas de venture capital em 2015, estão se beneficiando do acesso à infraestrutura de baixo custo baseada na nuvem. Essas empresas jovens estão propensas a inventar “o produto do momento” de uma categoria tanto quanto a divisão de P&D de um grande conglomerado, talvez estejam até mais predispostas.

Essa mudança traz um problema imediato para as grandes corporações. Um relatório da Capgemini Consulting e da Altimeter revelou que as empresas continuam sofrendo para lidar com a inovação e que o modelo atual de P&D está ‘falido’.  Além de não entenderem o ritmo das mudanças, a maioria das companhias carece da estrutura, conhecimento, qualificações, cultura, tolerância a riscos e confiança necessárias para enfrentar o desafio.

Para empresas de grande porte, a inovação é um processo de três passos:

– Primeiro: a descoberta – Com tantas fontes possíveis, como as empresas se posicionam para identificar a grande ideia do momento? Elas se unem a um pequeno número de start-ups de alto crescimento ou desenvolvem parcerias com a universidade local?

– Segundo: a aplicação – O conceito está pronto para ser incorporado ao negócio ou é necessário continuar com a criação, experimentação e desenvolvimento?

– Terceiro: a escala – Como a empresa adapta sua estrutura, tecnologia, pessoas e processos para receber essa inovação? Como elas lidam com as mudanças e aceitam um nível de risco muitas vezes maior? 

Toda empresa que deseja acompanhar a tendência deve dominar esses três passos. Trata-se de um círculo virtuoso, que chamamos de “Inovação Aplicada”. Grandes corporações de todos os setores acreditam que a Inovação Aplicada é difícil. As empresas de telecomunicações desejam urgentemente aplicar e expandir as inovações dos modelos de negócio para conseguir afastar a ameaça de $ 380 bilhões trazida pelos provedores over-the-top (OTT) como o Skype e Whatsapp. As montadoras de automóveis estão lutando para descobrir e aplicar essa inovação de produtos, necessária para enfrentar disruptores como a Tesla.

A jornada para a Inovação Aplicada é complexo. Ela requer acesso a fontes de inovação, como startups e instituições acadêmicas e requer, também, liberdade para aplicar novas tecnologias de forma experimental. Ela precisa do apoio de especialistas que entendam os setores e tecnologias, além de ser baseada em ferramentas e metodologias experimentadas e testadas. Também deve ser conduzida com velocidade, escala e num ciclo contínuo. Somente um número pequeno de empresas possui essas características internamente.

Isso é comprovado pela proliferação do que chamamos de “Exchanges” – centros e plataformas de alto desempenho, voltados à experiência e entrega, e dedicados à aplicação da inovação.  São locais seguros para aprender, experimentar e desenvolver conceitos. A Capgemini inaugurou, no início do ano, o seu nono centro, localizado no coração do Vale do Silício.  As instalações, criadas para impulsionar a Inovação Aplicada, podem causar um grande impacto na transformação digital.

Brian Solin, principal analista da Altimeter, criou o termo ‘darwinismo digital’ para descrever uma situação na qual a sociedade e as tecnologias superam a capacidade de adaptação de uma empresa. Ele enfatizou que as novas tecnologias sozinhas não trazem inovação, mas que o conhecimento, as parcerias do ecossistema e o modo de pensar desempenham um papel essencial. Ao aprender e adotar o processo de Inovação Aplicada, gerando resultados de negócio sustentáveis com velocidade, escala, segurança e convicção, as empresas conseguirão se destacar, manter seu negócio em curto prazo e obter as recompensas das disrupções em longo prazo.

* Carlos Eduardo Mazon é Chief Operations Officer da Capgemini no Brasil